Um pneu com sulcos profundos pode parecer pronto para a viagem e, ainda assim, ter a estrutura fragilizada pelo tempo — um risco agravado pelo calor do verão. Na lateral, o código de data mostra quando foi fabricado e ajuda a detetar esse envelhecimento antes de um rebentamento. Os primeiros dois algarismos indicam a semana e os últimos dois o ano; por exemplo, 2321 corresponde à 23.ª semana de 2021.
Onde procurar a data
O código costuma estar no final de uma sequência gravada na lateral e pode aparecer apenas numa das faces do pneu. Se não estiver visível do lado exterior, será necessário observar a face interior ou pedir a confirmação numa oficina.
A idade, por si só, não determina uma substituição imediata. Contudo, a partir de cerca de cinco ou seis anos, convém reforçar as inspeções, mesmo com piso suficiente; perto de uma década, a substituição é geralmente prudente, independentemente dos quilómetros, seguindo também as indicações do fabricante.
O calor expõe fraquezas
Com temperaturas elevadas, o ar no interior aquece e a pressão aumenta. Isso é normal, mas fissuras, deformações, reparações mal executadas ou danos na estrutura podem transformar uma longa viagem a alta velocidade no momento em que um pneu envelhecido falha.
Antes de partir, verifique a pressão com os pneus frios e use os valores indicados pelo fabricante do automóvel, ajustados à carga. Não retire ar a um pneu quente: depois de arrefecer, poderá ficar abaixo da pressão correta, aumentando a flexão da carcaça e a acumulação de calor.
Nos elétricos, atenção redobrada
Os automóveis elétricos tendem a ser mais pesados e entregam binário de forma imediata, fatores que podem acelerar o desgaste se houver pressão incorreta ou condução brusca. A ausência de ruído do motor também pode tornar vibrações e pequenos sons dos pneus menos evidentes, pelo que uma inspeção visual antes de viagens longas ganha importância.
Nas paragens de carregamento, aproveite para procurar cortes, bolhas, fissuras e desgaste irregular, sem tocar nos pneus muito quentes. Planeie uma margem confortável de bateria: calor, velocidade elevada, ar condicionado e carga reduzem a autonomia, e chegar quase sem energia aumenta o tempo e o stress do percurso; evitar extremos frequentes de carga também favorece a conservação da bateria.
Se a data estiver ilegível, houver diferenças grandes de idade entre pneus ou surgirem bolhas e fissuras, peça uma avaliação profissional antes da viagem. A profundidade do piso conta, mas no verão a condição da borracha e da estrutura pode ser o detalhe decisivo.